Se algum dia eu ficar louco
Que por favor não me enterrem
Em edifício ou manicômio.
E sim que me deixem florescer,
Feliz,
Na minha loucura.
Que não me façam censura
Quando falo sobre
A água mole e a pedra dura.
Que permitam que eu, deitado em minha cama,
Possa exprimir meus poemas e sonetos
Sem estar preso em uma camiseta
Que me amarra neste mundo em chamas.
Onde eu possa,
Livre de qualquer crítica,
Expor à luz minhas descobertas
(Que considero científicas).
Onde eu não precise acordar
Até colocar minha mente em dia
Com meus dilemas da terra e do ar.
Onde as paredes não estejam
Refletindo o sol e me obrigando:
"sorria!"
Enfim, peço - e suplico,
Como último verso ou capítulo,
Que deixem que eu faça,
E deixem que eu enlouqueça
(Mesmo que o dia vá-se e a noite cresça).
Que me deixem sereno
Numa espécie de castigo
Mas que para mim é nada menos
Que meu próprio - e único - abrigo.
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